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8 de Maio de 2021
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    A burrice do fanatismo político

    Rodrigo Galendi, Advogado
    Publicado por Rodrigo Galendi
    há 8 meses

    "Fanatismo é o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema, historicamente associado a motivações de natureza religiosa ou política." (Wikipedia)

    Em outros tempos, o fanatismo era muito evidente nas conversas sobre futebol ou religião, mas atualmente essa situação está predominante na política.

    Em âmbito nacional, os fãs do presidente não aceitam que a conduta do ídolo seja sequer questionada e, mesmo diante de suspeitas fundamentadas envolvendo familiares do chefe de Estado, qualquer tentativa de investigação é questionada e vista apenas como uma forma de atacar a imagem do presidente.

    O mais bizarro é que esses mesmos fãs de hoje clamavam por justiça e bradavam contra a corrupção do governo anterior, indignavam-se com o enriquecimento dos familiares do presidente de esquerda e apoiavam com todas as forças a operação Lava-Jato.

    No entanto, o presidente que foi eleito sob o discurso de combate à corrupção e apoio total à "Lava-Jato", inclusive com a nomeação do juiz que conduziu toda a operação para o Ministério da Justiça, mudou completamente seu discurso quando assumiu o poder e se viu desprotegido.

    Quando teve seus interesses pessoais prejudicados e seus familiares na mira de investigações sobre a prática de atividades ilícitas, o presidente honesto não hesitou em destituir o seu Ministro da Justiça e colocar seu herói na condição de vilão, atitude essa que foi aceita e justificada por seus fãs.

    Acontece que o "vírus" do fanatismo político tem se espalhado pelo país em proporção pandêmica, tal qual o coronavírus.

    Recentemente, na cidade de Botucatu, que historicamente abriga alguns fã-clubes de políticos, foi possível identificar um novo caso de fanatismo político.

    Uma denúncia acerca de um suposto ato de improbidade administrativa do prefeito em relação a um contrato de uso de equipamentos esportivos em meio à pandemia foi vista com grande repúdio pelos fãs do prefeito.

    A representação protocolada pela vereadora Rose Ielo, no exercício de seu dever legal de fiscalização, pede a apuração acerca da ausência de licitação, aditamento após vencimento do contrato vigente, ausência de motivação para aditamento, bem como vínculo de parentesco e amizade entre os contratantes.

    Tal representação foi objeto de ataque dos fanáticos da atual gestão municipal nas redes sociais, que reduziram tal pedido a forma de atrapalhar a reeleição do prefeito.

    Em contrapartida, tanto a Prefeitura Municipal, quanto à contratada em questão, emitiram uma nota de esclarecimento que não esclarece absolutamente nenhuma das acusações e apenas repudia a denúncia sob os mesmos argumentos aleatórios e vitimistas dos fanáticos, ou seja, alegam serem vítimas de ataque político.

    Ao vereador cabe elaborar as leis municipais e fiscalizar a atuação do Executivo – no caso, o prefeito. São os vereadores que propõem, discutem e aprovam as leis a serem aplicadas no município. Também é dever do vereador acompanhar as ações do Executivo, verificando se estão sendo cumpridas as metas de governo e se estão sendo atendidas as normas legais. E isso deve ser feito a todo momento, não apenas em período eleitoral, mas também nesse.

    Portanto, não parece lógico que um pedido de apuração de improbidade administrativa de agente do Poder Público seja visto como algo negativo, ao contrário, deve o cidadão cobrar o correto uso do dinheiro que paga seus impostos.

    O fanatismo político somente interessa aos próprios políticos, que usam seus fãs como massa de manobra para alcançar seus interesses pessoais e obter autopromoção gratuita, mas em nada contribui com o interesse coletivo.

    Dessa forma, tem-se que o fanatismo é sempre burro, irracional e trata apenas de defender aquele que lhe simpatiza, sem permitir qualquer tipo de debate acerca do assunto, prejudicando a evolução da sociedade em favor apenas e tão somente da perpetuação de seus ídolos.

    2 Comentários

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    O vírus do fanatismo (perfeita definição) já é pandêmico faz tempo. As mesmas pessoas que condenam o atual presidente como “miliciano” e “corrupto” — com fortes indícios, diga-se de passagem — são os mesmos que inocentam o ex-presidente condenado por corrupção, que instaurou um enorme projeto de poder no país às custas da população. São os mesmos que enxergam crime de responsabilidade até no espirro do presidente, mas se recusam peremptoriamente a ler o acórdão do TCU que demonstra os crimes de responsabilidade da ex-presidente.

    O que ocorreu foi a mudança do extremo no poder! O cego de antes voltou a enxergar, e os observadores do passado viraram cegos. Só isso... de resto, o enredo continua o mesmo!

    E só para ilustrar uma “curiosidade”, nesta semana eu tenho visto a discussão sobre as atrocidades do socialismo soviético. Pessoas que se autoproclamam “antifas”, que dizem combater o nazismo, batem palmas — e defendem — a hecatombe socialista, que praticou barbáries semelhantes ao fascismo e ao nazismo. Se insurgem ferozmente contra o negacionismo do Holocausto, mas são os primeiros a negar o Holodomor — da forma mais hedionda possível. Tudo isto nas barbas dos fiscais da Lei, que nada fazem. É, como bem definido no artigo, “o fanatismo sempre burro”, mas que gera consequências ao terceiro... continuar lendo

    Um advogado tratando uma suspeita como se fosse caso concluído, usando da própria opinião para condenar, o que cabe exclusivamente ao Ministério Público, é o que? Se fosse um leigo, e considerando a atual situação da maioria das pessoas neste país, que repudiam a ciência pura, e acreditam na terra plana, até se releva - com ressalvas, é claro. Mas alguém que tem OAB determinar a culpa sem provas concretas, apenas por conta da própria opinião em cima de uma nota que informa que o caso será tratado junto a quem de direito (que não é você) e assumindo pra si o papel do juiz que condena, usar deste canal de comunicação para chamar os outros de fanáticos, é o que? Seria isso oportunismo? Caso seja concluído que de fato todos os contratos que estão no portal da transparência são lícitos, você se compromete a vir a publicar se retratar, informando que não obstante a sua opinião, ela reconhecidamente não significa nada da mesma forma que a opinião daqueles que você chamou de fanáticos? E ainda, que achismo não se enquadra como dispositivo legal, mas está mais próximo na categoria fofoca, no mínimo? Uma nação sadia tem sim a decência de aguardar o desdobrar dos fatos e o cumprimento da lei. A mensagem sã e tecnica, seria essa. Uma pessoa coerente, lúcida, para dizer o mínimo, aguarda o devido processo legal acontecer antes de acusar. A Ielo tem o direito de questionar tanto quanto todos temos a obrigação de aguardar pela resposta, e assim seguimos numa nação democrática, madura, que respeita. Aguardar o parecer de quem está investigando. O resto é fofoca, é maledicência, é veneno. Quem atacou a Ielo, de alguma forma, por cumprir o papel que lhe cabe como vereadora deve ser esclarecido de que o próximo passo é aguardar a conclusão que cabe a instituição de direito. A opinião de todos é inócua - inclusive a sua. Mas o que falar daquele que, devendo saber de tudo isso, por força do ofício, vem emitir opinião em cima do que não sabe por completo, embutinda no meio de um discursinho acusatório, enquanto ataca e tenta desqualificar os demais que tão somente emitirão também opinião! Talvez o ataque deles tenha sido mais efusivo. E só. A eles, mais uma vez, cabe ainda o reconhecimento de que não têm tanto esclarecimento, e que merecem, com todo o respeito, saber como a justiça, a ciência jurídica funciona. Mas o que temos aqui é um artigo onde se perdeu a oportunidade de cumprir um papel iluminando acerca do que diz a lei e ao que se refere ao papel de cada um, da cidadania. Preferiu destilar veneno, disfarçado de crítica construtiva. Não disfarçou o suficiente, a retórica não foi boa. Mas esperar o que, não é mesmo? continuar lendo